Hoje, o Inglês é a língua mais falada no mundo. Pergunte a qualquer pessoa nascida nos anos 50, no Brasil, e ela vai te contar: a segunda língua ensinada nas escolas naquela altura era o Francês. Contudo, esse cenário mudou completamente.

 

Inglês virou a língua franca do mundo, tendo hoje mais de 1,348 bilhões de falantes nativos mundo afora. Ou seja, esse número nem sequer inclui aqueles que falam inglês como segunda língua, como é o meu caso. Em números aproximados, os nativos de língua inglesa são menos de 5% da população mundial, mas esse número sobe para 13% se incluirmos os falantes não-nativos. Isso é muita gente!

 

Por muitas razões (nem todas bonitas), o Inglês virou, então, a língua que facilita a comunicação entre povos, num mundo onde mais de 7100 línguas são faladas todos os dias. Inglês virou também a língua da tecnologia, da ciência, da política, do mercado de trabalho e da Academia.

 

Só este rápido apanhado de informações já dá um vislumbre de quão importante pode ser ensinar inglês para crianças, nossos filhos, e também para nós, os adultos. E ainda nem entrei nos 10 motivos porque nossos filhos deveriam aprender inglês.

 

Aliás, antes de entrar nos 10 motivos, quero antes falar sobre o que NÃO FAZER ao ensinar inglês para crianças. Prontos?

 

 

1) Ensinar quando a criança não se sente confiante na língua materna;

 

Diversos motivos podem levar crianças a não se sentirem à vontade para se comunicar até mesmo na língua materna. Por exemplo, crianças autistas muitas vezes apresentam mutismo seletivo quando as interações sociais se transformam em ansiedade por não saberem o que os outros esperam que ela diga ou por não entender os turnos de conversação.

 

Embora esse não seja o único caso, é importante levar em consideração se o seu filho ou filha demonstra ainda algum desconforto na própria língua. Se for o caso, ele ou ela podem não estar abertos o suficiente para iniciar o aprendizado de uma nova língua.

 

2. Tornar o aprendizado uma obrigação conteudista

Crianças têm um cérebro maravilhoso e “absorvente”, como dizia Maria Montessori. Como uma esponja, elas absorvem tudo que apresentamos a elas: palavras, sons, formas, ideias, representações. É exatamente isso que torna tão fácil ensinar uma segunda língua para crianças.

 

Contudo, fazer disso uma obrigação, algo que eles “têm que fazer”, um compromisso imposto por pressão de ter resultados, de desenvolvimento, de ver lições após lições e fazer tarefas após tarefas tira o prazer do aprendizado. Isso pode fazer com que a criança entre numa recusa completa de aprender, ganhando mesmo aversão ao objeto de estudo (no caso, o inglês ou outra segunda língua).

 

3. Introduzir o ensino num período sensível

Quando a criança está passando por um período sensível – por exemplo, luto pela perda de algum familiar próximo ou um animal de estimação, separação de um amigo, momento difícil na escola etc – não é de todo o melhor momento para introduzir o ensino de uma nova língua.

 

Idealmente, para verdadeiramente conseguir ensinar inglês para crianças é importante transformar o momento do aprendizado num momento prazeroso e lúdico para elas. Que seja percebido como um momento de diversão em que também aprendem, não uma extensão do “trabalho” que é a escola.

 

Agora sim, feitas essas observações, vamos ver as razões para ensinar uma segunda língua aos nossos filhos.

 

10 motivos porque devemos ensinar inglês para crianças

 

1. Conseguir se comunicar é sobre autonomia e sobrevivência

Não é só uma questão de trabalho ou de poder aquisitivo, conseguir se comunicar é a base da nossa sobrevivência. Poder falar com outras pessoas, incluindo aquelas que não falam a sua língua, é uma habilidade de sobrevivência tão ou mais importante como saber nadar para não se afogar.

 

Com mais de 1 bilhão e 300 milhões de falantes nativos no mundo, 13% de falantes do mundo todo se incluirmos os não-nativos, saber inglês não só abre portas para o mundo profissional (o que também é 

sobre sobrevivência, sejamos sinceras!), mas também para toda uma outra vida cultural, social e de relações interpessoais. Se você sabe inglês, você consegue se virar em quase qualquer canto do mundo.

 

2. Saber inglês dá acesso a muito mais conhecimento!

Saber inglês significa que nossos filhos conseguirão ler e interpretar livros, jornais, filmes, música e todo outro tipo de produção de conhecimento humano. Isso significa ter acesso ao dobro de conhecimento que poderia ter se só consegue ler e interpretar na sua própria língua materna.

Isso não é só sobre desenvolvimento acadêmico e profissional, isso é principalmente sobre desenvolvimento pessoal, cultural, intelectual. É muito além de resultados para “vencer na vida”.

 

3. Inglês é a língua oficial de 53 países no mundo

Isso significa que ensinar inglês para nossas crianças abre portas para eles, futuramente, viajarem, estudarem ou trabalharem fora. Seja para um intercâmbio ou mesmo para emigrar e viver em outro país.

 

E, vamos combinar, isso muda TUDO! São TANTOS os motivos para emigrar, seja porque quer fazer faculdade fora, porque quer ter uma experiência diferente, porque a economia do próprio país está difícil e sem perspectivas (no Brasil, isso é cada vez mais o caso…), porque tem ambições maiores e quer crescer…

 

Isso é permitir que nossos filhos ganhem o mundo, abram suas mentes e não estejam limitados ao seu próprio país. “Ah, mas ele pode emigrar sem saber outra língua”, sim pode. Mas isso dificulta muito a vida para acessar informações, saber quais são os seus direitos, conseguir trabalho, construir círculos sociais…

 

4. Aumenta a capacidade de foco

Um estudo realizado pelo Cornell Language Acquisition Lab descobriu que crianças que sabem uma segunda língua desenvolvem mais capacidade de concentração e têm mais facilidade para ignorar distrações ao seu redor do que crianças que falam apenas sua língua nativa. Essas habilidades são indispensáveis em vários ambientes, seja na escola ou no trabalho.

 

5.  Crianças têm mais facilidade em aprender outras línguas

Não existe uma idade “mínima” para começar a aprender, mas a ciência mostra que entre os 0 a 3 anos é quando mais absorvemos informações novas. Um estudo da Universidade de Washington mostrou que os bebês são capazes de diferenciar mais sons do que os adultos e, por isso, são mais propensos a desenvolver uma pronúncia do inglês nativa se expostos a uma língua estrangeira cedo.

 

Crianças são menos inibidas que adultos. Ainda não estão tão condicionadas pelo medo de errar, o que ajuda muito no processo de aprendizagem do inglês. Elas tentam mais, arriscam e aprendem pela tentativa e erro, absorvendo a estrutura natural da língua, que é a melhor forma de desenvolver a comunicação.

 

“Ah, mas isso vai atrapalhar a comunicação em Português…”: não, não vai. Basta lembrar de quantos milhões de crianças, no mundo todo, já nascem e crescem em ambientes naturalmente bilíngues ou mesmo trilíngues/poliglotas, como é o caso das crianças nascidas em países com mais de uma língua oficial (Canadá, Suíça, Bélgica, etc.).

 

6. Ensinar inglês para crianças ajuda a desenvolver habilidades

Estudos mostram que aprender uma segunda língua ajuda a melhorar a memória, o pensamento crítico, aperfeiçoa a capacidade de ser multitarefas e habilidades de solucionar problemas. Além disso, também tem sido continuamente comprovado que as crianças que são boas numa segunda língua geralmente são mais criativas e mais flexíveis.

 

7. É melhor aprender inglês do que ficar mais tempo no celular

Sem culpa materna aqui, eu também sou mãe. Mas vamos ser realistas: as crianças passam cada vez mais tempo na frente das telas. Com a pandemia, o isolamento e o aumento do trabalho doméstico após o coronavírus, isso ficou ainda mais difícil.

 

Segundo pesquisa da Panorama Mobile Time/Opinion Box, “Crianças e smartphones no Brasil – Outubro de 2020”, em apenas um ano, o índice de crianças que utilizam celulares passou de 30% para 43%. Segundo os resultados da pesquisa, 19% das crianças dessa faixa etária utilizam smartphones diariamente por até três horas, e outros 24%, por quatro horas ou mais. Isso é muito tempo!

 

A internet não é um lugar seguro para crianças, já escrevi aqui sobre isso. Desde o assédio de pedófilos à exposição a conteúdos violentos ou pornografia, o fato é que é muito difícil controlar o que nossos filhos têm acesso na internet, mesmo com ferramentas de controle parental. E é quase impossível mantê-los longe da internet por completo.

 

Por isso, se é para ter acesso às telas, mais vale sabermos o que eles estão vendo, sabermos que é produtivo e que estão aprendendo, como um curso online de inglês, por exemplo. E saber que eles estão gostando. Dois coelhos com uma cajadada só.

 

8. Aprender outra língua demora. Quanto mais cedo, melhor!

É isso mesmo. Aprender inglês (ou qualquer outra língua) não é algo que acontece da noite para o dia. Mesmo se você for uma criança na fase do cérebro absorvente. Aprender outra língua é uma construção diária, uma jornada longa que exige prática e comprometimento.

 

Basta lembrar quantos anos nós precisamos, enquanto nativos, para desenvolver uma comunicação realmente funcional na nossa língua, mesmo ouvindo desde que estávamos no útero. Agora imagina uma língua que não ouvimos no nosso entorno o tempo todo?!

 

Por isso, quanto mais cedo iniciar o aprendizado, mais fácil será para a criança se manter no caminho do aprendizado e desenvolver sua habilidade ao longo dos anos. Mais natural será o processo de aquisição de linguagem e mais rapidamente ela se tornará funcional em se comunicar em inglês.

 

9. Aumenta a proficiência na própria língua materna

Contrário ao senso comum que diz que aprender uma segunda língua pode gerar confusão na língua materna, as pesquisas mostram que crianças que aprendem uma segunda língua, na verdade, aperfeiçoam ainda mais sua língua mãe. Como?

 

É “simples”. Aprender uma segunda língua (especialmente quando, como no caso do Inglês, a língua vem de uma origem diferente da nossa, que é do Latim) aprofunda a compreensão gramatical, etimológica e sintática, dando ferramentas para as crianças compreenderem melhor a estrutura linguística, a origem das palavras e permitindo que façam comparações entre vocábulos.

 

10. Saber inglês pode aumentar o potencial de poder aquisitivo em 25%

Eu sei que disse várias vezes que não é sobre ser produtivo, carreira e tal, mas isso não quer dizer que esse não seja um fator importante. Aliás, o trabalho é importantíssimo.

 

O trabalho é uma parte enorme da nossa vida, é o que nos dá renda para apenas sobreviver ou viver com qualidade de vida, é o que nos dá um sentido de pertencimento e cooperação com a comunidade, de satisfação conosco próprios.

 

Estudos mostram que pessoas que sabem inglês têm potencial de aumentar seu poder aquisitivo em até 25%. Bom, posso falar por mim: eu sou imigrante num país de língua portuguesa. Mas se eu não falasse português, hoje estaria, como a maioria dos imigrantes brasileiros em Portugal, ganhando um salário mínimo servindo em restaurantes ou atendendo telefones. Saber inglês mudou minha vida.

 

Quero que meus filhos aprendam inglês. E agora?

É importante frisar (e digo isso enquanto estudante de língua estrangeira, ex-professora de inglês e Linguista diplomada) que não vale a pena ensinar de forma desordenada. Como assim?

 

Muitos pais, quando decidem ensinar inglês para suas crianças, especialmente não sendo eles falantes da língua, optam pelo caminho que parece mais óbvio (e está mais ao alcance de não-falantes): ensinam números e letras, palavras soltas (apple, banana, water, sky…), tudo de forma desconexa da realidade prática e da vida da criança. Ensinam um dia e no outro não. Mostram música em inglês num dia e depois nunca mais voltam a tocar no assunto.

 

Para um aprendizado real, é preciso compromisso. Deve ser uma atividade lúdica diária para a criança, a língua precisa estar presente no seu dia a dia, seja em forma de música, de histórias, de palavras, de animações, enfim, de múltiplas maneiras. Aliás, temos aqui um texto com dicas para ajudar seu filho a aprender inglês em casa que podem ajudar!

 

Se você enquanto mãe ou pai não fala inglês, o ideal será buscar um curso de inglês para crianças (em específico), com conteúdo direcionado, método adequado e professores capacitados no ensino. Ensinar errado é pior que não ensinar, isso sim pode causar confusão. É preciso começar, sim, mas principalmente é começar direito!

 

Curso Online de Inglês para Crianças

Deixo aqui a recomendação de um curso de inglês para crianças, totalmente online e animado, para quem procura recomendações, não tem condições de manter o filho na escola privada de inglês por anos ou pretende apenas introduzir a criança no aprendizado de inglês rapidamente enquanto a mantém entretida. O Curso Online de Inglês para Crianças com a Lily! Clique na imagem para visitar o site e saber mais (inclusive, têm preview de algumas aulas iniciais do curso!).

 

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    “A mulher viva e politizada afirma ser uma pessoa quer esteja ligada a uma família ou não, quer esteja ligada a um homem ou não, quer seja mãe ou não”.


    – Adrienne Rich, Of Woman Born: Motherhood as Experience and Institution

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