Com a luta pela humanização do parto e pelos direitos das mulheres, surgiram também novas profissionais para apoiarem a mulher na gestação, parto e pós-parto. Veja quem são, o que fazem e qual o papel dessas novas aliadas!

Desde a década de oitenta, houve uma movimentação massiva, tanto política quanto acadêmica e científica, para melhorar a assistência à gestação e parto e assegurar os direitos e autonomia das mulheres na maternidade.

Desde então, foram resgatadas profissões femininas populares na antiguidade, mas agora como profissionais especializadas e aliadas importantes das mulheres nessa caminhada. Assim, Doulas de Parto e Pós-parto, Parteiras, Educadoras Perinatais e as Consultoras de Aleitamento Materno entraram em cena.

Apesar de algumas dessas ocupações existirem desde a Antiguidade, como o caso das Doulas e Parteiras, a existência dessa profissional treinada e especializada é relativamente recente, especialmente no Brasil. Por isso, muitas mulheres ainda ficam confusas ou até mesmo desconhecem por completo o que faz e qual é o papel de cada uma dessas novas aliadas maternas. Se quer saber o que faz e qual o papel de cada uma delas, leia o artigo até o final!

Doula de Parto fazendo massagem numa parturiente

Doula de Parto

A Doula de Parto é uma profissional que passa por uma formação específica para oferecer apoio físico, emocional e informacional às mulheres ao longo da gestação, parto e pós-parto imediato.

Doulas de Parto não são profissionais médicas nem clínicas, ou seja, não podem prescrever medicamentos, nem podem aplicar injeções, fazer suturas ou qualquer outro procedimento clínico. Elas podem usar técnicas não-farmacológicas para aliviar a dor da mulher durante o trabalho de parto, para auxiliar com a amamentação e também com os desconfortos da gravidez (técnicas como massagens, escalda-pés, uso de chás naturais, compressas, etc.).

Enquanto a equipe de parto, de modo geral, está focada em prestar assistência para que o parto corra bem, a Doula está focada na experiência da gestante/parturiente. Em prepará-la para o parto, informá-la sobre as escolhas e os procedimentos, oferecer apoio físico e emocional para que ela tenha uma experiência positiva.

Doula de Pós-parto apoiando uma puérpera

Doula de Pós-Parto

Enquanto a Doula de Parto atua durante a gestação e o parto, a Doula de Pós-Parto atua após o nascimento. Seu papel passa desde fornecer informações importantes para a nova mãe, para que ela compreenda as fases do parto e os processos fisiológicos envolvidos no puerpério, como também apoio físico, emocional e prático.

Ou seja, a Doula de Pós-Parto tanto pode ajudá-la a dar os primeiros passos na amamentação, como pode auxiliar a dar banho no bebê ou até mesmo simplesmente cuidar de detalhes práticos (como guardar a roupa do bebê, preparar utensílios para a mãe amamentar despreocupada, dar um jeito rápido na casa). Tudo para que a nova mãe fique à vontade e não se sinta sobrecarregada durante o puerpério, que é uma fase importante e, não raramente, relegada a escanteio no preparo das gestantes.

Parteira (enfermeira obstetra) auscultando os batimentos do recém-nascido

Parteira

Se você ainda pensa numa mulher de meia idade, rechonchuda usando avental com as mangas arregaçadas e o paninho quente quando lê “parteira”, saiba que está desatualizada!

Embora a designação “parteira” se mantenha, quase por licença poética, as Parteiras de hoje não são as senhoras populares de antigamente. São, na verdade, enfermeiras especializadas em Obstetrícia. Ou seja, diferentemente das doulas, as parteiras (no caso, Enfermeiras Obstetras) podem fazer suturas, solicitar exames e até mesmo prescrever medicamentos enquanto integrante de uma equipe num centro de parto.

Para termos uma comparação prática fácil de visualizar, imagine uma gestante que pretende ter parto domiciliar e, por isso, contrata uma parteira e uma doula de parto. Nas suas consultas pré-natais, a parteira (enfermeira obstetra) irá avaliar a evolução da gestação: medir o perímetro da barriga, auscultar os batimentos do bebê, aferir a pressão, solicitar exames, etc. Já nas consultas pré-natais com a doula, esta irá educá-la sobre as fases do parto, ensiná-la posições para lidar com as contrações, tirar dúvidas e trabalhar os receios da mãe e da família.

Como pode ver, são duas formas de atuação completamente diferentes. Ambas assistem a gestante e ambas podem estar no parto. Mas uma está focada no nascimento (a parteira), outra está focada na experiência da mulher (a doula).

educadora perinatal
Educadora Perinatal dando treinamento para casais se prepararem para o parto

Educadora Perinatal

O nome complicado não ajuda a entender o papel da Educadora Perinatal, então vamos começar por aí. “Perinatal” significa, segundo o dicionário Priberam, tudo “aquilo que antecede ou sucede o nascimento”. Assim, a Educadora Perinatal é aquela que educa sobre tudo que antecede ou sucede no parto.

Diferente da Parteira, educadoras perinatais não assistem partos. Elas não fazem suturas, não prescrevem medicamentos, não pedem exames, nem avaliam se a gestação está evoluindo positivamente. E diferentemente da Doula, Educadoras Perinatais também não participam do trabalho de parto prestando auxílio físico e emocional à mulher que dá a luz.

Portanto, qual o papel da Educadora Perinatal? Seu papel é exatamente o de educar e preparar para o parto. Educadoras Perinatais geralmente são aquelas que organizam cursos de preparação para o parto para gestantes e casais, independente do tipo de parto, seja no hospital ou em casa.

A Associação Internacional de Educação Perinatal descre o papel da Educadora Perinatal como:

“A Educadora Perinatal é uma defensora das famílias, apoiando o crescimento e desenvolvimento da família durante a transição através da gravidez até a parentalidade. Além disso, o educadora perinatal é uma defensora das mulheres, que promove a saúde, autonomia, individualidade e integridade do mulheres como seres humanos.”

(fonte: “Papel e escopo da Educadora Perinatal“)

Você normalmente encontrará Educadoras Perinatais nas rodas de gestantes, nos cursos de preparação para o parto em postos de saúde e nas maternidades dos hospitais. Elas tanto podem ser enfermeiras e técnicas de enfermagem que tiraram uma formação específica para serem Educadoras Perinatais, como também podem ser Doulas que fizeram a formação para poder atender a mais famílias de uma vez.

Aliás, alguns cursos de doula, atualmente, já formam mulheres para serem ambas: doulas e educadoras perinatais. É o caso do curso de Doulas e Educadoras Perinatais da Parindo com Você, por exemplo.

consultora de aleitamento materno CAM
Consultoras de Aleitamento Materno auxiliam novas mães a amamentar corretamente

Consultora de Aleitamento Materno

Também conhecidas por CAM, sigla de “Consultora de Aleitamento Materno”, essas profissionais são preparadas para auxiliar mulheres lactantes que estejam com dificuldade para amamentar ou mesmo que tenham parado de produzir leite e queiram voltar a amamentar (relactação).

Consultoras de Aleitamento entram em cena no pós-parto, podendo auxiliar numa variedade de cenários, como:

  • Mamilos feridos
  • Baixa produção de leite
  • Problemas de pega correta
  • Amamentação em tandem (dois ou mais bebês ao mesmo tempo)
  • Ordenha e armazenamento de leite materno

Você pode ler mais sobre as CAM no nosso artigo: O que é e o que faz uma Consultora de Aleitamento Materno?


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    Inspiração

    “A mulher viva e politizada afirma ser uma pessoa quer esteja ligada a uma família ou não, quer esteja ligada a um homem ou não, quer seja mãe ou não”.


    – Adrienne Rich, Of Woman Born: Motherhood as Experience and Institution

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