A adolescência é um período desafiante não só para adolescentes, mas também para os pais. Veja dicas de especialistas no assunto para ajudá-lo a lidar com seu adolescente em casa!

disciplina positiva para adolescentes

Os desafios da adolescência

Passamos mais de uma década ensinando e aprendendo sobre a personalidade e as interações de uma criança que estava descobrindo as regras sociais… mas agora a ‘criança’ passa mais tempo longe e tem referências e modelos diferentes daqueles recebidos em casa.

 

Na busca pela afirmação do seu próprio eu, essas referências podem entrar em embate com as dos pais. É nesse momento complexo de descobertas, afirmações, hormônios e caminhada para a maturidade que sentimos que é difícil ficar por perto, quando somos constantemente afastados pelos nossos próprios filhos. Maternar/paternar com amor, apoio e disciplina positiva, mesmo nos momentos de frustração, são maneiras eficientes de guiar os filhos através da adolescência.

 

É normal que o adolescente queira tomar as próprias decisões e pensar por si. No entanto, os adolescentes ainda estão a desenvolver-se, e têm níveis de maturidade muito variáveis. Pode ser um momento assustador para os pais, especialmente aqueles que ainda não confiam no julgamento do seu adolescente.

 

Listamos dicas de especialistas no assunto para ajudar pais e mães a passarem por esse momento com seus adolescentes sem comprometer a união familiar!

Falar COM eles – não POR eles ou SOBRE eles

Para existir diálogo, é preciso haver duas partes que participam na conversa. Duas partes que ouvem e duas partes que compartilham suas ideias, sentimentos e opiniões. Se o momento de conversa for sempre um sermão dos pais para os filhos, nunca haverá diálogo, pois o adolescente já se entende como um “quase adulto” e, portanto, exige a sua parte na conversa. Ele quer se sentir ouvido, quer desenvolver suas ideias e precisa de espaço para o fazer.

 

Invés de dar as respostas do tipo “eu acho que você devia fazer x” ou “você precisa é de y”, tente estimular a reflexão de seu/sua adolescente colocando perguntas para que ele/ela responda. Isso ajudará a manter o diálogo aberto e estimulará seu adolescente a pensar soluções para os próprios problemas (em vez de esperar que alguém dê as respostas ou resolva por eles).

 

“O que você acha que causou isso?”, “Como acha que poderíamos resolver isso?”, “Quais são algumas alternativas para fazermos nessa situação?” são alguns exemplos de perguntas que estimulam a reflexão e resolução de problemas.

 

O mais importante aqui é que o adolescente saiba que pode contar com os pais para conversar. Muitos adolescentes sentem que não podem confiar nos pais, pois serão tratados com condescendência, serão julgados ou não serão ouvidos de todo. Isso fecha uma porta para os pais, que não conseguirão participar do mundo de seus filhos. Mantenha o diálogo aberto.

Coloque-se no lugar dele

Você se lembra como se sentia quando adolescente? O que pensava sobre os seus pai sou adultos responsáveis? Sua visão de mundo certamente era muito diferente da que tem agora. E isso precisa ser levado em conta. Eles querem ser como adultos, mas não, ainda não são. Lembre disso.

 

Sempre que as palavras ou o comportamento do seu adolescente fazerem você se sentir provocado, desafiado, ameaçado ou derrotado, tire alguns minutos para se acalmar. Entrar na queda de braços ou cair na provocação não vai ajudar e você é o adulto, você é o responsável usar as estratégias para manter o controle. Saia da sala, conte até dez, ligue para um amigo. Depois, quando estiver mais calmo, tente entender o lado do seu adolescente. Coloque-se no lugar dele para compreender o comportamento.

 

Não é só “pensar como é”, é realmente se colocar no lugar: o que é importante para seu filho? É nisso que eles estão pensando quando eles estão fazendo tarefa ou ajudando com as coisas em casa ou simplesmente largados no sofá? Provavelmente não. É mais provável que seu/sua adolescente esteja pensando “o que vou vestir na escola amanhã?”, “será que eu mando uma mensagem para aquele menino/menina do segundo ano?”, “meu melhor amigo está me ignorando, e agora’”, “como posso ser mais popular?”, “como será que consigo ir àquela festa no fim de semana?”.

 

Nosso mundo adulto é muito diferente do mundo adolescente. Nossas prioridades são diferentes e isso é perfeitamente normal. Nós somos adultos, mas também fomos adolescentes. Nós éramos assim, fizemos isso… Agora é a vez dos nossos filhos de passarem por esse processo de crescimento. Esse processo geralmente é chamado de “individuação”.

 

A individuação é um processo pelo qual as crianças passam para se tornarem mais “eles mesmos”, para se tornarem mais independentes de seus pais. Para os pais, a sensação é que se trata de uma rebelião, pois muitas vezes parece que eles estão fazendo tudo o que podem para contrariarem nossos valores e moral.

 

O que é importante para nós, enquanto pais e mães, pode se tornar um lugar de disputa para nossos adolescentes. Ao “individuar”, eles experienciam o outro lado, eles experimentam a vida de uma maneira diferente. Isso pode ser muito assustador para os pais e, acredite ou não, também para os adolescente.

 

Abandone a ilusão do controle, prefira o equilíbrio

Embora o controle às vezes dê uma ilusão de sucesso a curto prazo, filhos que são criados com escolhas e responsabilidade se sentem mais confortáveis para passar pelo processo de individuação junto de seus pais invés de se rebelarem às escondidas.

 

E você definitivamente não quer que seu adolescente tente fazer tudo escondido, porque então eles perdem o melhor apoio e a melhor ajuda que eles poderiam ter nesses anos complexos – a sua!

 

A nossa noção de controle muitas vezes vem de uma educação autoritária, em casa e/ou na escola, em que fazer o outro calar e obedecer é entendido como “ter tudo sob controle”. Isso é uma ilusão.

 

Se os adolescentes sentem que não foram ouvidos, que foram injustiçados e que estão sendo mandados porque a relação é apenas uma balança desequilibrada de poder, eles vão desafiar os pais. Ou farão isso na sua frente ou farão isso nas suas costas, onde você não poderá ver nem ajudá-los se precisarem de você.

 

Não tente estar no controle, tente estar com eles. Ao lado deles. E certifique-se de que eles sabem que podem contar com você sempre e que a sua casa é um lugar seguro, não um lugar de ameaça. Mesmo se não estiverem prontos para conversar naquele momento, deixe que eles saibam que podem te procurar sempre que quiserem e que você os ouvirá.

 

Planeje algum tempo junto regularmente

Pode parecer difícil, uma vez que adolescentes parecem querer manter distância dos pais, mas é importante tentar planejar algum tempo junto sempre que possível.

 

Um acampamento, uma viagem juntos, uma peça de teatro, um filme de heróis no cinema… O importante é que vocês tenham tempo de qualidade juntos, tempo em que possam falar de coisas banais, dos seus interesses, em que você possa aprender sobre o que seu adolescente gosta e ele possa vê-lo como uma pessoa, humana(o), não apenas um papel social de autoridade.

 

O tempo junto fortalece os laços e alimenta a confiança, além de servir de apoio para o desenvolvimento emocional saudável do seu adolescente.

 

PS: sentar juntos no sofá cada um no seu celular não conta como tempo de qualidade.

 

A adolescência não é fácil para ninguém, mas não precisa de ser um bicho de sete cabeças. Táticas de comunicação não-violenta, paciência e empatia são seus maiores aliados nesse momento. Não deixe que ideias pré-concebidas sobre autoridade e sobre o que é ser pai/mãe corroam a sua relação com os seus filhos. Por que não tentar outro caminho que seja positivo para ambos?

 

Disciplina Positiva para Adolescentes

Gostaria de entender melhor seus filhos e saber como educá-los sem gritos, palmadas, castigos ou permissividade? Está difícil lidar com suas próprias emoções? Este livro vai te ajudar!

Sobre a autora

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    Vila Materna é um portal de informações baseada em evidências científicas sobre gestação, maternidade e educação e com firme compromisso com a perspectiva feminista e os direitos das mulheres e crianças.

    Inspiração

    “A mulher viva e politizada afirma ser uma pessoa quer esteja ligada a uma família ou não, quer esteja ligada a um homem ou não, quer seja mãe ou não”.


    – Adrienne Rich, Of Woman Born: Motherhood as Experience and Institution

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