Compartilhe

Colo do útero aberto? Colo fechado? O que é isso e como esse pequeno órgão tem a ver com a dilatação e o seu trabalho de parto? Vem descobrir!

O que é o colo do útero?

O colo do útero é um órgão situado na parte inferior do útero, ligando o útero à vagina. Apesar de pequeno (medindo cerca de 2,5 a 3 cm), esse órgão tem um grande papel durante o parto. Algumas das funções do colo do útero são:

 

  • Produção de muco cervical: O colo do útero produz muco cervical (o tampão mucoso), que atua como uma barreira protetiva entre o útero e a vagina para não permitir que infecções cheguem até o colo do útero e o útero;

     

  • Regulação do fluxo menstrual: O colo do útero abre e fecha para regular o fluxo de sangue menstrual a partir do útero;

     

  • Passagem do bebê: Durante o parto, o colo do útero dilata (abre-se) para permitir que o bebê passe pelo canal vaginal;

O colo do útero durante o parto

Quando a mulher está em trabalho de parto, o colo do útero começa a dilatar. Ao contrário das novelas, onde o parto acontece de uma hora para a outra e rapidamente, na vida real o processo de dilatação geralmente começa várias semanas antes do parto. E continua até o colo do útero estar completamente dilatado até cerca de 10 centímetros.

À medida que o colo dilata, os músculos do útero contraem-se, empurrando o bebê para baixo em direção ao canal vaginal. Quando a cabeça do bebê chega ao colo do útero, o seu peso exerce pressão sobre o colo do útero, ajudando a estimular uma maior dilatação.

À medida que o colo do útero continua a dilatar, a cabeça do bebê vai passando através do canal de parto para dentro da vagina. Se o bebê estiver em posição cefálica, a cabeça é a primeira parte a sair, seguida do resto do corpo.


Depois do parto, o colo do útero começa a contrair-se e volta a fechar. Isto ajuda a prevenir possíveis infecções e também a proteger o útero. Pode levar várias semanas para o colo do útero se fechar completamente e voltar ao seu estado pré-gravidez.

O que significa Colo aberto ou Colo fechado?

Colo aberto refere-se a um colo do útero que já está dilatado, ou aberto. Colo fechado refere-se a um colo do útero que não está dilatado e que se encontra no seu estado normal de repouso.

O colo do útero muda de tamanho e forma ao longo do ciclo menstrual da mulher e durante a gravidez. Durante o ciclo menstrual, o colo do útero permanece fechado e firme. Quando nos aproximamos da ovulação, o colo do útero torna-se mais macio e pode começar a abrir ligeiramente.

Durante a gravidez, o colo do útero permanece fechado e firme até a mulher entrar em trabalho de parto. Quando o trabalho de parto começa, o colo do útero começa a dilatar e a abrir, permitindo que o bebê passe através do canal de parto. Quando o colo do útero está completamente dilatado, com cerca de 10 centímetros, o bebê está pronto para nascer.

É importante saber que o colo do útero só pode ser verificado por um profissional de saúde. As mulheres não devem tentar verificar o seu próprio colo  se não tiverem instruções da forma correta de o fazer, pois podem não apenas se machucar como até mesmo podem provocar infecções.

Como saber se estou dilatando?

Há várias maneiras de identificar se está dilatando ou não. Algumas das mais comuns são:

  • Exame de toque: um profissional de saúde pode realizar um exame de toque para verificar se o colo uterino está dilatando. Durante o exame, o provedor vai inserir um dedo com luvas na vagina e sentir o colo do útero para determinar seu tamanho e posição;

  • Monitor fetal eletrônico: o monitor fetal eletrônico é um dispositivo utilizado durante o parto para observar o ritmo cardíaco do bebê e a força e frequência das contrações uterinas. O monitor também pode ser usado para rastrear o progresso da dilatação cervical;

  • Ultrassom: um exame de ultrassom pode ser usado para medir o tamanho e a posição do colo uterino durante a gravidez. Durante o parto, entretanto, esse exame não é normalmente utilizado para verificar a dilatação cervical.

Dica importante

É completamente possível ter um trabalho de parto 100% sem toque (ou “hands off“, em inglês). Durante o trabalho de parto, há várias formas de acompanhar a progressão sem precisar tocar a mulher. Entre elas, acompanhar os batimentos fetais e o afastamento das ancas, que é possível ver nas costas da parturiente, são algumas das abordagens mais simples. O toque em trabalho de parto pode ser muito doloroso e é, basicamente, desnecessário.

Doulas podem fazer o exame de toque?

Não, não podem. Doulas são profissionais treinadas para fornecer apoio emocional, físico e informativo às mulheres e famílias durante a gravidez, parto e pós-parto. Doulas não são treinadas ou licenciadas para realizar procedimentos médicos, sejam eles o exame de toque, episiotomia ou sutura de lacerações.


Somente um profissional de saúde, como um obstetra, parteira ou enfermeira, pode determinar com precisão o grau de dilatação cervical durante a gravidez e o trabalho de parto, utilizando os diferentes métodos que listamos acima.

 

A doula pode, no entanto, ajudar a explicar os procedimentos médicos para você tomar uma decisão informada e também oferecer técnicas não-farmacológicas que ajudem a dilatação a progredir. Além disso, seja no parto domiciliar ou parto hospitalar, doulas podem defender as preferências e necessidades da mulher durante o processo de parto.

Se não houver dilatação, qual é o procedimento adotado nos hospitais?

Algo que é pouco falado entre gestantes é que a progressão da dilatação nem sempre é uniforme. Ela pode ser mais rápida ou mais lenta, variando muito de mulher para mulher. Além disso, é importante lembrar que o colo do útero é um músculo, ou seja, ele contrai e relaxa também em situações de estresse, quando nos sentimos ameaçadas e intimidadas. Afinal, somos mamíferas.

E situações de estresse não são tão incomuns assim em ambientes hospitalares, especialmente se a mulher não sentir que está no controle da situação ou sentir desconfortável com a equipe médica e o ambiente.

Se o trabalho de parto não estiver progredindo como esperado, a equipe de saúde pode tomar várias medidas para tentar estimular o trabalho de parto a progredir. Algumas das mais comuns são:

  • Uso de ocitocina sintética: A oxitocina é um hormônio que pode ser administrado por via intravenosa para estimular as contrações e encorajar a dilatação;

  • Rompimento artificial da bolsa: Embora controverso, alguns médicos podem decidir romper a bolsa utilizando um instrumento clínico para acelerar as contrações e o expulsivo. Não é recomendado o rompimento da bolsa já durante o expulsivo ou em bebês prematuros;

  • Mudança de posição: Mudar de posição pode fazer uma grande diferença na evolução do trabalho de parto, observando, é claro, o conforto da mulher. Em geral, posições mais verticalizadas (agachada, sentada no banco de parto, de cócoras) ou em quatro apoios podem colocar a gravidade a seu favor e acelerar a dilatação;


Alguns hospitais podem usar fórceps ou ventosas para acelerar o trabalho de parto. Esses métodos já não são recomendados pela Organização Mundial de Saúde e podem ser considerados violência obstétrica. Informe-se junto da sua equipe de parto ou da sua doula para tirar todas as dúvidas!

A dilatação pode começar a regredir em vez de progredir?

Sim, é possível que a dilatação comece a regredir em vez de progredir durante o trabalho de parto. Isto é conhecido como “regressão cervical” ou “ineficiência cervical”. A regressão cervical pode ocorrer quando o colo do útero começa a dilatar, mas depois pára de dilatar ou começa a fechar novamente. Quando isso acontece, o trabalho de parto pode parar ou diminuir a velocidade.

 

A regressão cervical não é muito comum, mas pode ocorrer por várias razões, incluindo:

 

  • Contrações uterinas muito fracas: se o útero não estiver se contraindo de forma eficiente, pode não conseguir empurrar o bebê para baixo para forçar a abertura do colo uterino;

     

  • Apresentação ou posição fetal: Se o bebê estiver em uma posição anormal (por exemplo, se estiver pélvico ou transversal) ou tiver um apresentação anormal (córmica), pode ser mais difícil para o bebê descer através do canal de parto e estimular a dilatação;

     

  • Forma ou tamanho anormal da pélvis: Se a pélvis for muito pequena ou tiver uma forma anormal, pode ser mais difícil para o bebê passar pelo canal de parto e estimular a dilatação. Atenção, a “desproporção cefálico-pélvica”, embora possa acontecer, não é comum e, exceto casos identificados em Ultrassom (como hidrocefalia ou macrocefalia), via de regra essas situações só podem ser observadas no momento do trabalho de parto. “Bacia estreita” não é indicação de cesárea!

     

  • Cirurgia uterina prévia: Mulheres que tiveram uma cirurgia uterina anterior, como cesariana ou possuem uma cicatriz uterina, podem ser mais propensas à regressão cervical;


Se ocorrer regressão cervical, o profissional de saúde pode tomar medidas para tentar estimular o trabalho de parto a progredir, tais como as listadas anteriormente neste texto. Em alguns casos, uma cesárea pode ser necessária.

Como estimular a dilatação sem medicamentos?

Existem várias técnicas não-farmacológicas que podem ajudar o trabalho de parto e a dilatação a progredir, inclusive:

  • Mudança de posição: mudar de posição ou caminhar pode ajudar a estimular contrações e encorajar a dilatação. Andar, rebolar e fazer agachamentos podem ajudar o trabalho de parto a progredir;

  • Massagem: Massagear a parte inferior das costas ou o ventre pode ajudar a relaxar os músculos e estimular as contrações;

  • Acupuntura: A acupuntura é uma prática médica tradicional chinesa que envolve a inserção de agulhas finas em pontos específicos do corpo para estimular o fluxo de energia e promover a cura. A acupuntura pode ser usada durante o trabalho de parto para estimular as contrações e estimular a dilatação. Deve ser feita apenas por um profissional treinado.

  • Aromaterapia: A aromaterapia envolve o uso de óleos essenciais para promover o bem-estar físico e emocional. Alguns óleos essenciais, como a salva esclareia e a hortelã-pimenta, podem ajudar a estimular as contrações e encorajar a dilatação;


Note
que estas técnicas devem ser utilizadas sob a orientação de um profissional de saúde e não devem ser usadas como um substituto para o tratamento médico. Cada trabalho de parto é diferente e a abordagem para gerenciar o trabalho de parto dependerá das necessidades e circunstâncias individuais da mulher. Sua doula poderá ajudar a escolher a melhor abordagem de acordo com a sua condição!

denise gomes curso para gestantes

Curso para Gestantes

Não vá para o parto com dúvidas! Assuma o controle da sua gravidez e viva uma Gestação Plena com este curso para gestantes da Dra. Denise Gomes!

Sobre a autora

Compartilhe

    Deixe um comentário

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

    Vila Materna é um portal de informações baseada em evidências científicas sobre gestação, maternidade e educação e com firme compromisso com a perspectiva feminista e os direitos das mulheres e crianças.

    Inspiração

    “A mulher viva e politizada afirma ser uma pessoa quer esteja ligada a uma família ou não, quer esteja ligada a um homem ou não, quer seja mãe ou não”.


    – Adrienne Rich, Of Woman Born: Motherhood as Experience and Institution

    Aline Rossi © 2020. Todos os direitos reservados.