A gravidez é um período emocionante em todos os sentidos. Com tanta coisa nova, hormônios, planos, informações e, sim, pressão social, passar por esse momento pode ser uma verdadeira montanha-russa de emoções. Com todos os seus altos e baixos.

 

 

Algumas mulheres sentem-se felizes com cada chute e movimentação do bebê, deslumbradas com as mudanças. Para outras, a gravidez é difícil, exaustiva, pois além de fadiga, traz mal estar, desconforto, mudanças de humor e preocupações constantes.

 

É verdade. A gravidez é estimulada e romantizada em todos os âmbitos da sociedade – na mídia, na família, nas instituições e, por vezes, até no meio médico e da saúde. Contudo, ela pode não ser todo esse conto de fadas para muitas mulheres. E eu realmente quero dizer MUITAS. Mulheres que passam dificuldades severas durante a gestação não são “exceção”.

 

É muito comum ver grávidas que sentem que, progressivamente, conforme a gestação avança, estão perdendo o controle de seus próprios pensamentos. E isso começa a afetá-las no trabalho e até mesmo nos seus relacionamentos.

 

A questão é: como gerir a ansiedade na gravidez e como tratá-la?

 

Quais as causas da ansiedade na gravidez?

 

As preocupações durante a gravidez podem ser enormes e pelos mais variados motivos. Claro, as mudanças hormonais são um ponto importante, mas não são o único elemento nessa equação. Ter vivido um aborto espontâneo anteriormente e dificuldades para dormir podem contribuir para um aumento da ansiedade na gravidez.

 

Especialmente para as primigestas, ou seja, mães de primeira viagem, as dúvidas e o medo do desconhecido podem ser realmente demasiado para lidar. A preocupação sobre como um bebê afetará suas relações sociais (com seu companheiro, suas amigas e mesmo na sua família), medos sobre a saúde do bebê (especialmente esmagador para mães que recebem um diagnóstico de deficiência sobre seus bebês), medo do parto ou de violência obstétrica, ou mesmo a demanda financeira que uma criança representa.

 

Todas essas preocupações são completamente normais. Para os seres humanos, ter um pouco de ansiedade pode ser uma autodefesa, uma proteção. É o nosso instinto de alerta para nos mantermos vivos. Mas ansiedade a mais pode ser algo paralisante e trazer sofrimento.

 

Sintomas de Ansiedade na Gestação

Embora seja normal estar preocupada com a saúde de seu bebê, em alguns casos essa preocupação se torna debilitante e pode exigir mais atenção. Os pensamentos sobre a saúde do bebê podem tornar-se obsessivos, mesmo quando os exames estão todos normais e os médicos insistem que está tudo bem.

 

As preocupações também podem aparecer sob a forma de sintomas físicos, tais como:

 

  • Boca seca e batimentos cardíacos acelerados;
  • Dificuldade para respirar;
  • Ataques de pânico;
  • Irritabilidade e mudanças repentinas de humor;
  • Dificuldades de concentração;
  • Tensão muscular (podendo causar mesmo dores);
  • Inquietude e dificuldades para adormecer;
 

Se for a primeira vez que você experimenta sintomas de ansiedade, isso por si só pode ser uma experiência assustadora. Quando a ansiedade começa a interferir com seu cotidiano, seus relacionamentos ou seu desempenho profissional, nesse caso ela pode ser classificada como um Transtorno de Ansiedade (para tal, precisa ser diagnosticada por um profissional capacitado).

 

ansiedade gestação

 

Ansiedade na gestação: quando a ansiedade aparece?

Não há média nem um período “mais propício”: a ansiedade na gravidez pode aparecer a qualquer momento, inclusive nos primeiros momentos pós-parto. Como as razões são diversas, mulheres experimentam a ansiedade na gravidez de variadas formas. Por exemplo:

 

Ansiedade no primeiro e segundo trimestre da gestação

O transtorno de ansiedade é bastante generalizado no primeiro trimestre da gestação. Possivelmente porque, além de todas as preocupações e medos da mãe, ainda temos de lidar com isso enquanto nosso corpo está carregado de hormônios.

 

Gravidez não planejada, gravidez na adolescência, abandono paterno, pressão da família ou falta de apoio familiar, falta de condições financeiras, problemas no trabalho ou nos estudos, problemas de saúde da mãe. Essas são algumas causas comuns entre mulheres que desenvolvem transtorno de ansiedade logo no primeiro ou segundo trimestre da gestação.

 

Ansiedade no último trimestre da gestação

Com a aproximação da data prevista de parto, a ansiedade pode se intensificar mesmo entre aquelas que tiveram trimestres anteriores tranquilos.

 

Alguns motivos comuns são: medo do parto, receio de sofrer violência obstétrica, situações em que houve uma troca de profissional que acompanhou a gestante durante toda a gestação, dificuldades de acesso à maternidade ou aos exames, dificuldades financeiras, problemas de habitação, esgotamento físico, falta de apoio, diagnóstico de deficiência do bebê ou problemas de saúde da mãe (diabetes gestacional, pré-eclâmpsia, hipertensão, etc.);

 

Ansiedade no pós-parto

Embora subdiagnosticados, os distúrbios de ansiedade durante a gravidez e no período pós-parto são comuns e podem afetar até uma em cada cinco mulheres. Muitas mulheres sofrem em silêncio sem saber que aquilo que as aflige tem nome e tratamento. Alguns motivos comuns são: falta de apoio, dificuldades para amamentar, falta de sono adequado por causa da nova rotina, perda do posto de trabalho, dificuldades financeiras, problemas no relacionamento, indisposição com algum familiar;

 

Ansiedade na gestação pode prejudicar o bebê?

Embora menos estudada que a depressão, pesquisas sugerem que a ansiedade pode afetar negativamente tanto a mãe quanto o feto. A ansiedade aumenta o risco de parto prematuro, baixo peso ao nascer, idade gestacional mais precoce e menor perímetro cefálico (que está relacionado ao tamanho do cérebro).

 

Tratamentos para a Ansiedade na Gravidez

Felizmente, hoje já existem muitos tratamentos que podem diminuir a ansiedade durante a gravidez e ajudá-la a se sentir melhor. Por outro lado, é preciso estar atenta aos riscos de tratamentos medicamentosos e buscar orientação profissional para analisar caso a caso.

 

Ainda há pouca informação sobre se é seguro ou não tomar ansiolíticos na gestação, visto que não existem evidências científicas suficientes sobre os possíveis efeitos desses medicamentos no desenvolvimento feto. Mesmo mulheres que já tinham tomado ansiolíticos antes de engravidar podem preferir interromper a medicação durante a gravidez e retomar em outro momento mais seguro.

 

A abordagem das terapias cognitivas comportamentais podem ser mais seguras e são aceitas como mais promissoras para casos de ansiedade na gravidez. Essas terapias se concentram em desafiar as ideias, emoções e atitudes que deixam a mulher indisposta, utilizando estratégias para gerir a ansiedade (como o método de respiração diafragmática, adaptada à gravidez).

 

Agora, se você realmente tiver um quadro de ansiedade severa, nesse caso a medicação pode ser a sua melhor aliada. Os prós e contras devem ser esmiuçados e esclarecidos junto do seu ou da sua médica.

 

O que fazer para diminuir a ansiedade na gestação?

Se o seu caso não precisar de intervenção medicamentosa ou terapia não for algo de fácil acesso na sua região, você também pode ajudar a reduzir a ansiedade na gravidez com algumas atividades para manter a mente ocupada, o corpo relaxado e os hormônios alinhados! Veja algumas dicas:

 

  • Pratique uma atividade física regularmente: em geral, é seguro praticar atividade física durante a gravidez. Atividades na água, caminhadas e atividades em grupo podem ser ótimas formas de socializar e espantar os anseios! No entanto, se você estiver em risco de trabalho de parto prematuro ou tiver complicações na gravidez, consulte seu médico primeiro.
 
  • Estabeleça uma rotina de sono que lhe permita descansar de verdade. Diminua o ritmo progressivamente até o momento de ir para a cama. Estabeleça uma hora para se desligar do celular, das redes e ouça uma música ou leia um livro para adormecer na hora pretendida. Pode optar por um travesseiro de gravidez ou passe umas noites longe se o seu parceiro ronca (ou diga que ele vá passar umas noites longe!). Agora é a hora de aprender o que funciona para o seu sono.
 
  • Escreva sobre a sua experiência. Seja nas redes, num blog ou num diário, escrever sobre as suas preocupações pode ajudá-la a pensar em possíveis soluções e permite que você reflita e elabore sobre as suas preocupações, invés de cozinhá-las lá dentro.
 
  • Tenha uma “hora de resolver os problemas”. Muitas vezes ficamos preocupadas e sobrecarregadas justamente porque estamos tentando não esquecer algo. Mas a nossa capacidade de memorizar é limitada e pode ser altamente frustrante estar constantemente preocupada com isso. Separe 30 minutos ao final do dia como o seu tempo de rever as atividades, as reuniões, o que precisa ser feito. Ou seja, para se preocupar de forma produtiva. Isso ajuda a evitar que você se apegue às suas preocupações pelo resto do dia, tentando não esquecê-las (tente lembrar a si mesma: “Vou pensar sobre isso mais tarde”).
 
  • Pratique Yoga. Os benefícios da ioga na gestação são estudados de longa data. Esta costuma ser uma atividade muito praticada pelas gestantes e recomendada por profissionais de saúde, uma vez que une o útil ao agradável: prepara o físico e alinha a mente. Mas se não é a sua praia, pode tentar massagem ou meditação.
 
  • Experimente meditação. Se escrever ou fazer atividades físicas não for muito a sua praia, pode experimentar algo mais pacato como a meditação guiada na gestação. Muitas mulheres preferem algo menos “participado”, menos “em grupo”. A parte boa é que essa é uma atividade que pode ser feita em qualquer lugar e até mesmo em casos de gravidez de risco.
 


Referências bibliográficas:

Prepare-se para a maternidade!

Sobre a autora

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    Inspiração

    “A mulher viva e politizada afirma ser uma pessoa quer esteja ligada a uma família ou não, quer esteja ligada a um homem ou não, quer seja mãe ou não”.


    – Adrienne Rich, Of Woman Born: Motherhood as Experience and Institution

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