Você sabia que a placenta começa a se formar logo após a nidação? Ou seja, depois da fixação do óvulo fecundado, o orgão conhecido como placenta já começa a ser desenvolvido pelo corpo da mãe para poder nutrir e proteger o bebê ao longo da gestação. Na realidade, essa é exatamente a função da placenta: nutrir e proteger o bebê e estabelecer a comunicação entre o feto e a mãe.

Placenta – The Tree of Life | LivingLoveChild
Foto de uma placenta com os vasos e o cordão umbilical mostra a forma arvoresca que rendeu o nome de “árvore da vida”.

Placenta: a “Árvore da Vida”

A placenta também é chamada de “Árvore da Vida” não só porque é através dela que o bebê recebe oxigênio, mas também porque ela efetivamente lembra uma árvore quando espalmada!

Quando espalhada sobre uma superfície, a placenta humana tem uma forma circular que possui, em média, 9-10 cêntimetros de diâmetro. O cordão umbilical está conectado à placenta e, na área circular, podemos ver os seus muitos vasos, que formam, assim, a imagem semelhante a uma árvore.

Essa referência é muito antiga e, de fato, é ela que inspira muitas mães, doulas e parteiras a criarem artes e cerimônias para honrar ou se despedir da placenta, que protegeu o bebê durante a gestação.

Aliás, mesmo os rituais e crenças sobre a placenta não são nenhuma novidade, aqui no Vila Materna você pode encontrar um artigo sobre as Tradições da Placenta pelo Mundo, onde estão listadas algumas curiosidades de como diferentes povos do mundo todo entendiam a placenta e o que faziam com ela após o nascimento do bebê.

É, por um lado, por essa contemplação e respeito pela placenta e, por outro, com a expectativa que de os nutrientes e a proteção continuem a ser transmitidos ao bebê mesmo após o parto, por exemplo, que algumas mães optam pelo parto de lótus. Nesse tipo de parto, a placenta não é separada do bebê. O cordão umbilical, invés de ser cortido, é mantido conectado à placenta e esperam que ele caia naturalmente para que a separação aconteça.

Então, se você está pensando o que fazer com a placenta após o parto, dá uma olhada nas dicas abaixo:

Carimbo de Placenta ou Pintura de Placenta

Aproveitando o visual que lembra uma árvore, a “árvore da vida”, muitas mães gostam de fazer um Carimbo de Placenta. Trata-se de uma arte feita utilizando o próprio sangue da placenta ou aplicando tintas à base de água para criar uma espécie de carimbo ou pintura da placenta, que depois pode ser pendurada como um quadro ou guardada de recordação. Aqui no Vila Materna já ensinamos como fazer Carimbo de Placenta, se tiver interesse.

Enterrar a Placenta

Algumas mães optam por simplesmente enterrar a placenta. Apesar de parecer “pouca coisa”, tem uma simbologia de despedida, de encerramento de um ciclo da vida da mãe, para iniciar um novo: a maternidade. Enterrar a placenta, na verdade, não é algo novo. Algumas culturas faziam rituais, após o parto, que envolviam enterrar a placenta.

Por exemplo, na Malásia, a placenta era vista, em algumas regiões, como um irmão mais velho do bebê (espiritualmente). Por isso, após o parto, a placenta era cuidadosamente lavada e embrulhada num pano branco para ser enterrada, de modo que o bebê pudesse encontrar seu “irmão mais velho” na outra vida.

Já no Sudão, por exemplo, enterrar a placenta era quase um “ritual de sorte”, que representava a expectativa dos pais sobre a criança. Por exemplo, podiam enterrar a placenta junto de um hospital para representar seu desejo de que a criança fosse médico(a) quando crescesse.

Plantar a Placenta com uma Árvore

Mãe planta a placenta junto do filho

Se não está muito confiante na sua veia artística, pode optar ainda por plantar a placenta. Afinal, a placenta é orgânica, é basicamente carne e pode ser decomposta na terra, ajudando a fornecer os nutrientes necessários para fertilizar a terra.

Basta colocar a placenta diretamente na terra, no buraco cavado para transplantar a semente ou raiz que você deseja, e depois plantar a sua árvore preferida e cobrir de terra. Assim, seu filho ou filha terá uma árvore, fortalecida pela sua própria “árvore da vida”, que acompanhará seu crescimento. Poético!

Placentofagia: comer a placenta

Se você é do tipo que não dispensa uma experiência gastronômica e não tem medo de experimentar, a placentofagia pode ser uma opção.

Devorar a placenta após o parto é muito comum entre mamíferos placentários (e nós certamente somos mamíferas e placentárias) e os benefícios para os demais animais estão relativamente bem documentados na ciência. Por isso, algumas pessoas sustentam que comer a placenta pode trazer benefícios para a mãe. Benefícios como: aumentar a produção de leite, fornecer ferro (muito importante durante a amamentação) e outros nutrientes importantes no pós-parto.

O fato é que há pouca bibliografia científica que consiga comprovar os benefícios físicos de comer a placenta. Por outro lado, também não há evidências de que faça mal. Pelo contrário, conseguiram sim encontrar benefícios emocionais e psicológicos para as mães, que relatavam se sentir melhores e mais dispostas, e efetivamente um aumento na produção de leite materno!

Tem gente que até prepara um strogonoff, mas aí fica a critério da freguesa!

Encapsular a placenta

Essa “moda” apareceu de forma mais forte entre 2014 e 2016, quando já apareciam na mídia uma série de celebridades que admitiram ter mandado fazer cápsulas com as suas placentas para ingerirem como uma espécie de vitamina.

A lógica é a mesma da placentofagia, ou seja, sustenta-se na hipótese de que ingerir a placenta pode aumentar a produção de leite materno e trazer outros benefícios físicos. A única diferença é que a mãe estará a ingerir de forma menos… gastronômica.

Um ponto que poderá ser mais complicado se decidir encapsular a sua placenta é encontrar quem o faça. Hoje, no Brasil, já é mais comum, mas ainda assim são poucas as profissionais (geralmente enfermeiras obstetrizes, também denominadas parteiras) que realizam esse procedimento.

Dar para os peixes

Talvez menos comum, mas não tão fora da curva é a ideia de dar a placenta aos peixes. Nesse caso, a mãe entrega a placenta num rio — quase sempre é um gesto muito ritualistico, espiritual, imbuído de significados e simbolismos — como um “retorno à natureza”.

Se optar por isso, apenas certifique de que não é um rio frequentado por banhistas ou que não tenha peixes (caso contrário, pode acabar se metendo numa situação muito desconfortável!).

Essas são algumas das opções para se despedir da sua placenta após o parto. Algumas delas podem ser combinadas, outras menos.

Se gostou, compartilhe esse artigo com uma amiga grávida! Que tal combinarem uma despedida da placenta juntas?

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