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Doula é a profissional que acompanha e assiste a mulher gestante e parturiente ao longo da gestação, trabalho de parto, parto e pós-parto. Neste artigo, vamos tirar todas as dúvidas sobre como ser doula, quanto ganha, como trabalha e tudo o que deve saber antes de se tornar uma doula de parto! Não deixe de ler!

Doula é profissão?

No Brasil, a ocupação de Doula é reconhecida no Catálogo Brasileiro de Ocupações sob o número 3221-35 desde 2013. Contudo, ainda não existe regulamentação específica. Isto significa que a doula é uma ocupação legal, porém não é reconhecida como uma profissão AINDA. Já existe um projeto de lei aprovado pelo senado e que seguiu para aprovação da Câmara para reconhecer a profissão de Doula.

 

Na prática, ser legalmente reconhecida como Ocupação (mas ainda não como Profissão) significa que a Doula pode se registrar como MEI ou PJ para recolher impostos e emitir recibo, caso tencione atuar exclusivamente com doulagem, mas não pode formar sindicato nem possui legislação específica que defina, por exemplo, piso salarial e progressão de carreira.

O que é preciso para ser doula?

O caminho mais comum para se tornar uma doula é fazer uma formação e depois começar a praticar, mas também há muitas mulheres que já vêm de áreas nas quais lidavam com gestantes (como enfermagem, yoga, fisioterapia) e já tinham alguma prática e seguiram uma jornada mais autodidata.

 

Contudo, desde a aprovação da lei em 2013 novas doulas que queiram atuar profissionalmente precisam cumprir alguns requisitos estipulados pelo CBO para que sua formação e atuação profissional tenha validade legal.

 

Segundo o Catálogo Brasileiro de Ocupações, a Doula é uma ocupação técnica de nível médio, reconhecida na seção “Tecnólogos e técnicos em terapias complementares e estéticas”.

 

Requisitos para ser doula:

  • Ter 18 anos;
  • Ensino médio completo;
  • Fazer uma formação certificada com carga horária mínima de 80 (oitenta) horas, cujo currículo deverá abranger, obrigatoriamente, a atuação da Doula no ciclo gravídico puerperal.

 

É preciso ser da área de saúde para ser doula?

Não. Não é preciso formação em enfermagem, fisioterapia nem nada específico. Como demonstrado acima, o CBO exige apenas o ensino médio completo e curso de doula com 180h de carga horária e certificado reconhecido.

 

É preciso ser mãe para ser uma boa doula?

Definitivamente não. Embora algumas doulas sejam mães que tenham tido uma boa experiência de parto e decidiram seguir esse caminho (como, aliás, é o meu caso!), não é preciso ter passado por um parto para ser uma boa doula. Basta ser uma pessoa atenta, empática e disposta a prestar apoio.

Quanto ganha uma doula?

A remuneração de uma doula depende de muitos fatores. Em geral, uma doula cobra entre R$ 800,00 a R$ 2500,00 reais por pacote de atendimento. Esses valores dependem:

 

  1. a) da experiência da doula;
  2. b) da quantidade de visitas de acompanhamento pré-parto;
  3. c) da quantidade de visitas de acompanhamento pós-parto;

 

Doulas muito experientes, que se dedicam profissionalmente a esse acompanhamento há muitos anos, tendem a cobrar mais caro porque também elas estão em constante formação, aprendendo novas técnicas de alívio da dor e auxílio à progressão do parto.

 

Para saber mais sobre isso, leia nosso artigo Quanto Ganha uma Doula?. Se vive em Portugal ou pretende emigrar, também temos um artigo sobre quanto ganha uma Doula em Portugal.

doula de parto

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Como trabalha uma doula?

Em geral, doulas atuam de duas formas: 

 

Doulas voluntárias ou comunitárias

Geralmente, as doulas voluntárias fazem cursos de formação de doulas oferecidos por maternidades ou projetos públicos e acompanham mulheres em situação de vulnerabilidade ecônomica e social dentro dos contextos de hospitais públicos. Entretanto, muitas doulas que se formam de forma independente, isto é, em cursos pagos por elas próprias, também costumam fazer voluntariado à parte de seu trabalho como doulas autônomas.

 

Doulas autônomas

Chamamos de “doulas autônomas” as doulas que atuam como profissionais liberais, ou seja: que atendem profissionalmente, de forma independente ou em equipes de parto domiciliar, cadastradas sob um MEI ou PJ, e prestando atendimento às suas próprias clientes ou ‘doulandas’;

 

Diferenças na atuação

Geralmente, doulas comunitárias ou voluntárias no âmbito de projetos hospitalares só assistem mulheres no momento do parto, quando a gestante chega ao hospital. Já doulas autônomas, no geral, costumam iniciar o atendimento ainda na gestação, com um acompanho mais presencial ao longo dos trimestres até o trabalho de parto, parto e, por vezes, estendendo também ao pós-parto.

O que a doula NÃO faz?

Uma vez que a doula não é uma profissional de enfermagem, medicina ou obstetrícia, a doula não pode, de modo geral, performar procedimentos médicos e cirúrgicos às suas gestantes. Esses procedimentos incluem:

  • aferir pressão;
  • monitorar batimentos cardíacos fetais;
  • avaliar a dinâmica uterina;
  • exame de toque;
  • administração de medicamentos;
  • episiotomia e sutura;

Onde fazer curso de doulas? Como escolher?

Existem muitos cursos de capacitação de doulas disponíveis, tanto presenciais quanto cursos online. Ambos possuem validade, falando em termos legais e profissionais, desde que estejam de acordo com as regras do CBO (80h de formação, certificado de conclusão e acompanhamento ministrado por doulas). Nós comparamos os cursos de doulas mais famosos do Brasil e você pode ler o resultado nesse post aqui: Qual o melhor curso de doulas do Brasil?

 

Quando iniciei, também fiz um curso online de doulas (você pode ler o relato e minha comparação aqui: Curso Online de Doula Vale a Pena?). Posteriormente, fiz outras formações para aprender mais técnicas, mas não sinto que perdi nada relativamente a um curso online. Inclusive tive de realizar avaliações e dois estágios com relatório ao final do curso para poder receber o certificado de conclusão.

 

Um bom curso deve cobrir, de forma holsítica, os seguintes tópicos:

 

  1. perspectiva antropológica e histórica
  2. anatomia feminina
  3. evolução do parto e como identificar as fases do parto
  4. técnicas naturais de alívio da dor;
  5. dicas de atuação
  6. cuidados pré-parto e pós-parto
  7. cuidados com a puérpera e o recém-nascido
  8. legislação sobre doulas

 

Inclusive, os cursos geralmente incluem dicas para doulas iniciarem no mercado, como marketing pessoal para doulas.

 

Cuidado com os cursos grátis de doula na internet!

Existem opções de cursos de doulas gratuitos na Internet, mas tenha cuidado! Se pretende atuar profissionalmente como doula, lembre-se que o Catálogo Brasileiro de Ocupações exige um mínimo de 80h de formação. Esses cursos podem ser acessíveis, mas dificilmente dão o preparo e a carga horária necessárias que permitam-lhe atuar na área legalmente.

 

O que você deve saber ANTES de ser doula

Existem muitos benefícios em trabalhar como doula, tanto profissionais quanto emocionais. O mais citado por todas as mulheres que atuam como doulas é, de longo, o fato de ser uma profissão gratificante.

 

Diferente de outros trabalhos mecânicos, desprovidos de sentido, frustrantes ou simplesmente chatos, doular é realmente algo único. Nenhum dia de trabalho é igual, como nenhum parto é igual. Cada atendimento culmina com o nascimento de um novo bebê e uma nova família, uma partilha enorme de hormônios e, quase sempre, um misto de choro e sorriso. Mas, claro, ser doula não é sobre assistir, é sobre dar assistência. E amor não paga contas.

 

De fato, como em todas as profissões, ser doula tem altos e baixos. Tem os desafios próprios de ser uma profissão nova ainda por regulamentar (está quase!) e o paradigma de ser, ainda, uma presença desafiadora para a maioria das equipes médicas, especialmente aquelas ainda não humanizadas.

 

Horários imprevisíveis e sempre de prontidão

Independente de trabalhar como doula voluntária, autônoma ou integrada na equipe hospitalar, a doula tem horários pouco convencionais. Embora possa fazer seu horário para o atendimento pré-parto, ou seja, durante a gestação, definindo consultas em horário comercial, o parto em si não respeita horários.

 

Sua doulanda pode te chamar às três da tarde ou às três da manhã, ou à hora do almoço, ou do jantar, ou quando você está no terceiro sono no meio daquele sonho bom… Assim como bombeiros ou policiais, a doula está sempre a postos, pois seu serviço exige estar sempre de prontidão. A gestante entrou em trabalho de parto? Ela larga tudo o que está fazendo e vai.

 

Isso é algo muito particular da profissão, pois mesmo profissões que trabalham com horários rotativos e plantões costumam ter algum horário estabelecido. Mas a doula não.

 

Por isso, se você ainda tem um recém-nascido ou bebê pequeno em casa ou se tem alguma restrição de horários, talvez valha a pena avaliar se este é o momento ideal para seguir esse caminho, sabendo que essa demanda vai acontecer.

 

Infraestrutura e Reserva Financeira

Embora seja comum exigir uma entrada ou pagamento antecipado por cada serviço contratado pelas doulandas, pode não ser sábio tratar esse dinheiro como reserva financeira.

 

Ser doula exige alguma organização de caixa para:

  • Transporte;
  • Divulgação do seu trabalho;
  • Formação profissional;
  • Equipamento e material;
  • Participar em eventos;

 

Pode ser uma boa ideia falar com outras doulas e profissionais de parto para estabelecer uma espécie de parceria que te garanta mais segurança financeira, talvez por indicação de clientes ou para ter uma reserva de possíveis novas doulandas, por exemplo.

 

Preparo físico

Doular não é só segurar a mão ou dizer palavras encorajadoras. Na verdade, pode ser bastante exaustivo fisicamente.

 

Trabalhos de parto podem levar muitas horas, inclusive mais de um ou dois dias, dependendo da situação. Por isso, é muito comum que a doula precise passar muitas horas em pé ou ter que sustentar o peso da doulanda nos exercícios para alívio da dor (como em determinadas posições para aliviar as contrações).

 

Desde o apoio físico à gestante, ao seu acompanhante ou família, o apoio no pós-parto imediato e todo o trabalho operacional que muitas vezes o parto exige (encher piscina, buscar alimentos, fazer massagem, etc.), um atendimento pode ser realmente esgotante.

 

Por isso, é importante manter alguma prática física para ganhar resistência e conseguir apoiar adequadamente as suas clientes.

 

Preparo emocional

Ainda que gratificante e emocionante, doular muitas vezes é um trabalho extremamente desgastante emocionalmente.

 

É parte do trabalho da doula dar apoio emocional para a gestante e isso muitas vezes exige gerir as emoções no local do parto e pode envolver terceiros: um parceiro ansioso, uma sogra pouco colaborativa, uma mãe nervosa, um cachorro que não para de latir, uma criança que não consegue lidar com o barulho do ambiente, um vizinho incomodado com os gritos.

 

Tudo isso pode acontecer num parto dos sonhos que aconteceu exatamente como planejado (pela gestante) ou num parto com desfecho menos positivo. Todas essas situações são possíveis e são drenos emocionais. Chegamos ao fim de um atendimento completamente exaustas e precisando de uma doula pra nós mesmas.

 

Se você acha que é sensível demais para essas situações, talvez valha a pena falar com outras doulas mais experientes antes de começar a trilhar esse caminho.

 

Sempre comunicável

Sendo um trabalho no qual estamos sempre de prontidão, a profissão de doula exige estarmos sempre comunicáveis. O trabalho de parto pode começar a qualquer hora, portanto você precisa estar comunicável e ser responsiva às quatro da tarde ou às quatro da manhã.

 

Estar comunicável significa ter bom sinal de internet para falar com sua doulanda por vídeo se necessário, estar num lugar com rede móvel que permita fazer chamadas a qualquer momento, ter um telefone celular funcional.

 

Embora não seja necessário (pois doula não é fotógrafa), eu acrescentaria que um celular com uma boa câmera pode ser um grande diferencial. Não é raro acontecer da gestante não ter contratado uma fotógrafa ou a fotógrafa não conseguir entrar no momento do parto ou qualquer outro cenário louco, e uma fotinha daquele momento aquece o coração de qualquer doulanda.

 

Desafios legais

Uma boa quantidade dos estados brasileiros hoje têm leis que asseguram a entrada das doulas nos hospitais. Algumas maternidades, inclusivamente, já registram doulas para facilitar a entrada no momento do parto. Mesmo assim, não há ainda uma legislação a nível federal que deixe assente em pedra que a doula não é o mesmo que acompanhante.

 

Isso muitas vezes resulta em desafios no atendimento da doula, especialmente em regiões mais afastadas dos centros urbanos, onde há uma tendência maior ao conservadorismo.

 

No que toca à profissão em si, também deve ser levado em consideração o enquadramento legal da profissão. Hoje, a doula é reconhecida no Catálogo Brasileiro de Ocupações (CBO), o que permite às doulas criar MEI ou PJ e trabalhar autonomamente, caso queiram descontar impostos e assegurar seus direitos laborais. Contudo, a doula ainda não é uma profissão. Ou seja, não há teto salarial, progressão e nem podem formar sindicato para exigir melhorias como categoria.

 

Resumindo…

Em suma, a profissão doula pode ser muito gratificante e compensadora, mas também muito desafiadora. Seu sucesso profissional dependerá muito não só dos recursos que consiga organizar para trabalhar, mas também das conexões profissionais que conseguir estabelecer junto de outras colegas e gestantes.

 

Se seu empreendimento será sustentável ou não, depende principalmente do seu empenho profissional, pois, como em toda profissão, não é só aprender e pronto. É preciso investir no seu crescimento e na diversificação dos seus serviços para ter uma renda constante.

 

Se com tudo isso ainda acha que essa profissão é pra você, dá uma olhada na Formação Online de Doulas de Parto da Dra. Julia Nicolosia e a Msc. Neiva Alencar e seja bem-vinda ao time das guardiãs do parto humanizado!

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